2009 | SÃO PAULO 

 

Marília e André conheceram-se numa sala de aula, em agosto de 1995. Ele pediu a ela uma caneta emprestada. Com essa caneta, começaram a escrever sua história. 

Desencontraram-se e reencontraram-se algumas vezes e casaram-se em abril de 2009. Não houve cerimônia religiosa, apenas o registro civil e a festa - e que festa. Organizada com apenas um mês de antecedência, com a ajuda da família e de amigos, reuniu mais família e mais amigos. E foi a última comemoração realizada na antiga casa térrea, de muros brancos e jardim imenso, que havia na rua Américo Brasiliense, no bairro de Santo Amaro, e que não há mais. 

De São Paulo, o trabalho e as escolhas que fizeram juntos os levaram a Tóquio e Roma. 

O tempo passa e vai-nos lapidando. Algumas coisas perdem-se - a cor dos cabelos, a pressa de existir -, outras se ganham: os cabelos brancos, o olhar que alcança mais longe. 

Acreditamos ser fundamental celebrar os encontros fortuitos e felizes. Iríamos longe sem a companhia um do outro? Não. Propusemo-nos casar tantas vezes quanto a vida colocar-nos à prova. A ideia surgiu em Tóquio: retratar-nos nas cidades em que morarmos, em espaços familiares, que fizerem parte do nosso cotidiano, e com a mesma roupa que usamos no nosso casamento. 

O objetivo deste exercício é capturar a passagem do tempo, impregnado em nossas roupas e nossos corpos e entorno, e, também, a "não-passagem do tempo": nossa parceria, que nos vai levando adiante, a novos lugares, ao encontro de novas pessoas e de nós mesmos, de novo. 

 

2014 | TÓQUIO 

Fotos do Gui Martinez